segunda-feira, 7 de abril de 2014

Porque nossas coisas não "duram mais como antigamente"?

Tenho certeza que todos vocês já ouviram alguém falando esta frase ou já perceberam por conta própria que a maior parte das coisas que compramos quebram rápido, param de funcionar sem motivos claros ou não possuem peça de reposição. Pois é, existe uma explicação maligna por trás disso tudo e ela é conhecida como obsolescência programada: os produtos já são fabricados de forma programada para não durar muito. Existem duas formas de se criar um produto programado para morrer: construindo-o com componentes de qualidade inferior ou induzindo o consumidor a substituí-lo por modelo mais novo. Que intenções estão embutidas nesse tipo de produção???

Nos EUA, em um primeiro momento, a obsolescência programada surge atrelada a uma lógica extremamente capitalista: o aumento das vendas à custa da redução da vida útil do produto. Ora, se os produtos tiverem uma qualidade inferior, o consumidor será obrigado a comprar estes produtos com mais freqüência, logo o lucro da empresa é maior, e de certa forma, garantido. Os empregadores conseguem manter seus funcionários na empresa, que com o salário em mãos pagam suas contas e com a “sobra” tornam-se escravos do sistema ao comprar cada vez mais e contribuir significativamente com o crescimento da economia (mas não da qualidade de vida) num ciclo de consumo sem propósito.  



Diante desta lógica de produção contínua, gerada pela euforia norte-americana e a falta de consumidores, houve uma crise de superprodução. Para solucionar a crise, o eleito presidente Franklin Roosevelt, propôs mudar a política de intervenção americana. Se antes, o Estado não interferia na economia, deixando tudo agir conforme o mercado, agora passaria a intervir fortemente, principalmente através do controle dos preços e da produção.

         Posteriormente, a obsolescência programada aparece através do design e da propaganda. Neste momento, a TV já se constitui o veículo de informações mais acessível às diferentes classes sociais e é através dele que os comerciais passam a estar dentro de nossas casas. A moda, por exemplo, é mais um meio para o sustento desse sistema. Ao mesmo tempo em que sabemos que a roupa tem um significado que abrange a representação de um conjunto de valores culturais, vemos que o anseio pela busca de expressão social impulsiona o sujeito a depender da roupa como uma fonte legitimadora de uma aceitação social. 



 Até as sementes (isso mesmo, sementes!) são alvo da obsolescência programada. Trata-se das sementes terminator, fruto de uma tecnologia transgênica para fabricação de sementes suicidas: são plantadas, dão frutos, mas a segunda geração se torna estéril, tornando os agricultores reféns da compra de novas sementes a cada estação. Patentear material genético alterou as relações de poder econômico a favor das grandes empresas que detém a propriedade intelectual da produção das sementes geneticamente modificadas e toda a cadeia alimentar passa a ser controlada por poucas grandes multinacionais como a Monsanto, Bayer, Syngenta, Dupont, entre outras.  

O controle da agricultura está nas mãos de um oligopólio de empresas que usam o desenvolvimento de novas tecnologias na produção de sementes que não atendem ao interesse público da erradicação da fome no mundo e contribuem para extinção de variedades sementes crioulas cultivadas por gerações de agricultores familiares e comunidades tradicionais. Conseqüentemente, contribui para a redução da biodiversidade, não só no âmbito das sementes propriamente ditas, mas também em relação ao modelo de produção (monoculturas) e uso de agrotóxicos e fertilizantes químicos, que geram impactos ambientais com efeitos locais como a redução da biota do solo (responsável pela ciclagem da matéria orgânica) e com efeitos globais como o aumento do nível de nitrogênio nos oceanos (através da incorporação de nutrientes lixiviados do solo aos corpos d’água).


Ao invés de investirmos em produtos com grande durabilidade que diminuiriam consideravelmente a extração de matéria prima, ou seja, florestas, água e minérios, insistimos em um modelo insustentável de extração desmedida de uma fonte esgotável de recursos, o planeta Terra. Além disso, devem ser incluídos outros gastos que seriam minimizados ao produzir produtos de qualidade: energia, tanto na produção quanto no transporte (redução queima de combustíveis fosséis e da emissão de gases poluentes e contribuintes para o aumento do efeito estufa), geração e gestão de resíduos. 


              Depósito de lixo eletrônico proveniente de países do "1º mundo" - África


Descubra mais sobre a obsolescência programada no vídeo abaixo!




Luisa Ázara - Ecologia UFRJ
Muda Maré

segunda-feira, 11 de novembro de 2013

Oficina de horta na Lona Cultural

No mês de outubro, mais uma linda oficina aconteceu em parceria com a Lona Cultural Herbert Vianna. O objetivo foi incentivar o contato das crianças com a natureza por meio de iniciativas sustentáveis, reutilizando materias, como garrafas pets, caixas de madeira e vasos, para a confecção de uma horta suspensa. As mudas plantadas - orégano, cebolinha, pimenta e hortelã - serão usadas futuramente pelas mulheres do Maré de Sabores e na alimentação diária dos moradores que frequentam esse espaço.

Desenvolvemos o assunto da plantar a partir de uma história que falava de uma onça, dona de um roçado. Ela foi contada por um dos nossos convidados, o Bernardo. 

Para começar o plantio, cada um pegou uma garrafa PET e cortou-a em forma de vaso. Depois colocaram a terra e a muda que escolheram e, no final, prendemos com arame no pallet de madeira. 


Vaso pronto pra ser colocado no pallet de madeira

Horta suspensa ficando pronta

Troca de conhecimentos

Pequenos cuidadores da horta!

Após o plantio, as crianças seguiam para o muro onde o Márcio Heider, outro convidado, guiou uma pintura coletiva, com o desenho de árvores, flores e casas. 


Márcio Heider comandando a pintura!


                Ao final a Lona Cultural ficou colorida assim ó!

As oficinas acontecem pelo menos uma vez no mês, com diversas atividades diferentes e sempre com um enfoque na questão ambiental!


Agradecemos a rica colaboração dos convidados, Bruno e Marcio do Projeto Criança Petrobras, e as fotografias de Douglas Lopes.



Muda Maré
Isabelle Pepe

terça-feira, 1 de outubro de 2013

Muda na Escola – Aula campo no Manguezal


Neste ano, o projeto consolidou sua parceria com o CIEP Hélio Smidt através de ações frequentes. O intuito é aproximar o conteúdo das aulas de ciências à realidade local dos estudantes, para que eles possam entender as problemáticas da comunidade e sejam capazes de, futuramente, criarem ações transformadoras.

O manguezal faz parte do conteúdo de ciências dos alunos do 4 ano e, além disso, é o ecossistema no qual a Maré esta inserida. Para que os alunos entendessem mais sobre a sua importância foi realizada uma aula campo no manguezal localizado no Fundão. O objetivo era expor o que é um manguezal, explicando como ele está inserido dentro do bioma da Mata Atlântica, evidenciando suas peculiaridades e a importância de preservá-lo, além de relacioná-lo com a historia da Maré.

A atividade ocorreu com a turma dividida em três espaços diferentes, e a cada trinta minutos ocorria um rodízio. No gramado fizemos um jogo sobre os biomas brasileiros e no final demos enfoque a Mata Atlântica.





No manguezal houve uma explicação mais aprofundada de como ele funciona, evidenciando os aspectos físicos e biológicos, características da vegetação e adaptações encontradas pelos seres vivos para a sobrevivência nesse ecossistema.







Na praia o foco foi o lixo, mostrando a quantidade que se acumula nos manguezais e seu impacto ambiental. Discutimos a importância de preservá-lo, além de introduzir a historia da Maré e sua relação com este ecossistema.




Galera reunida!




Isabelle Pepe
Muda Maré



segunda-feira, 30 de setembro de 2013

Semana Nacional do Meio Ambiente no CIEP Hélio Smidt

O Dia Mundial do Meio Ambiente é comemorado mundialmente 5 de junho e o governo brasileiro estabeleceu que neste período em todo território nacional se promovesse a Semana Nacional do Meio Ambiente, que tem por finalidade apoiar a participação da comunidade nacional na preservação do patrimônio natural. 




No dia 7 de junho, os alunos de 4º e 5º do CIEP Hélio Smidt, localizado no Parque Rubens Vaz, comemoraram o Dia do Meio Ambiente com realização de diversas atividades. A ideia era fazer com que as crianças expressassem seus conceitos e percepções sobre meio ambiente, refletissem sobre a importância da preservação ambiental para a manutenção da vida, e analisassem as consequências da interferência humana no ambiente através de brincadeiras.

Os alunos do 4º ano foram divididos em grupos e participaram de três atividades com um sistema de rodízio, e guiadas por cada um de nós.
  • Na gincana “O que pensamos e sentimos em relação ao ambiente”, o aluno que batesse primeiro respondia à perguntas sobre seus hábitos e atitudes em relação ao meio ambiente ao seu redor, e no final houve uma reflexão com o grupo.


  •  Na atividade O que é meio ambiente?, os alunos escolheram figuras em revistas com imagens que se encaixassem com seu conceito de meio ambiente, depois explicavam o motivo de sua escolha, e ao final era proposta uma reflexão com a montagem de cartazes.



  • Na atividade “Teia de Vida”, cada aluno escolhia o elemento que queria ser e jogava o fio para outro participante que tinha alguma relação com seu cartão, explicando-a. No final, uma teia era formada e houve uma reflexão sobre a importância de cada um para a manutenção do ecossistema.




Para o 5º ano, ocorreram duas atividades simultâneas. Enquanto uns estavam na trilha dos sentidos, os outros estavam assistindo ao documentário, "O homem que plantava árvores", que mostra a relação do homem com a natureza.


As crianças se divertiram trabalhando todos os seus sentidos, menos o da visão. A trilha desperta as sensações e sensibiliza sobre a importância do olfato, do paladar, da audição, do equilíbrio e das várias formas de tato, proporcionando meios de interpretação da natureza.


No final de um dia de muita brincadeira e aprendizagem, Muda Maré e alunos reunidos na quadra para uma foto com muitos sorrisos!


Muda Maré 
Isabelle Pepe