terça-feira, 21 de outubro de 2014

A sociedade das abelhas

As abelhas são insetos sociais que vivem em colônias organizadas em que os indivíduos se dividem em castas. Ou seja, cada indivíduo possui funções bem definidas que são executadas visando sempre à sobrevivência e manutenção do enxame. Numa colônia de Apis mellifera, em condições normais, existe uma rainha, cerca de 5.000 a 100.000 operárias e de 0 a 400 zangões.


   Nesta espécie, a rainha se diferencia devido à alimentação exclusiva com geleia real, rica em proteínas e hormônios, produzida a partir de glândulas presentes na cabeça das operárias. A rainha é maior abelha da colmeia e somente ela é capaz de produzir ovos fertilizados, que dão origem às fêmeas (operárias ou novas rainhas), além de ovos não fertilizados, que originam os zangões. A rainha realiza um vôo nupcial, onde será fecundada por 12 a 15 zangões. O esperma é guardado no seu abdômen e será liberado aos poucos ao longo dos seus anos de vida. A rainha pode viver até 25 anos, enquanto uma operária vive, em média, 2 meses. Enquanto a rainha é responsável pela reprodução e pela manutenção da ordem social na colmeia através da liberação de feromônios, as abelhas operárias desempenham uma série de funções que variam de acordo com o seu desenvolvimento.


     Os zangões, em menor número, tem a função exclusiva de fazer o acasalamento com a rainha e garantir a reprodução. As operárias realizam o trabalho para a manutenção da colmeia. Elas executam atividades distintas, de acordo com a idade, desenvolvimento glandular e necessidade da colônia


    As abelhas (campeiras) são responsáveis pela polinização da maior parte das plantas e portanto, pela manutenção de vários ecossistemas. Ao coletar o néctar e o pólen, as abelhas ao visitarem outras flores da mesma espécie, promovem a fecundação que dará origem a frutos e sementes. 

   A redução de abelhas em escala mundial é um dos principais problemas ambientais do século, já que afeta diretamente a produção dos alimentos. São as abelhas as responsáveis por pelo menos 73% da polinização das plantas, de acordo com estudo da Organização das Nações Unidas para a Agricultura e Alimentação (FAO), publicado em 2004.



    O mel é usado como alimento pelo homem desde a pré-história. Por vários séculos foi retirado dos enxames de forma extrativista e predatória, muitas vezes causando danos ao meio ambiente. Entretanto, com o tempo, o homem foi aprendendo a proteger seus enxames, instalá-los em colmeias racionais e manejá-los de forma que houvesse maior produção de mel sem causar prejuízo para as abelhas. Nascia, assim, a apicultura. Este termo aplica-se apenas à criação de abelhas Apis melífera enquanto a criação de abelhas nativas é conhecida como meliponicultura, nome dado devido ao gênero das meliponias.



    A utilização do mel na nutrição humana não deveria limitar-se apenas a sua característica adoçante, como excelente substituto do açúcar, mas principalmente por ser um alimento de alta qualidade, rico em energia e inúmeras outras substâncias benéficas ao equilíbrio dos processos biológicos de nosso corpo.



    Além de sua qualidade como alimento, esse produto único é dotado de inúmeras propriedades terapêuticas, sendo utilizado pela medicina popular sob diversas formas e associações como fitoterápicos. Sua propriedade antibacteriana já foi amplamente confirmada em diversos trabalhos científicos como também sua ação fungicida, cicatrizante e promotora da epitelização das extremidades de feridas.

                      Abelha nativa: Irapuã, mais conhecida como abelha-cachorra
  
   No Brasil muitas espécies de abelhas indígenas sem ferrão estão seriamente ameaçadas de extinção em consequência das alterações de seus ambientes, causados principalmente pelo desmatamento, uso indiscriminado de agrotóxicos e pela ação predatória de meleiros. O habitat dessas abelhas são geralmente em troncos ocos de árvores velhas e atualmente, das 300 espécies de meliponíneos, cerca de 100 estão em perigo de extinção.

Abelha nativa: Mandaçaia 

    A criação de abelhas nativas pode ser uma alternativa em projetos que integrem a conservação da biodiversidade, o manejo sustentável e a produção local. Os meliponíneos, nossas principais abelhas nativas, ao polinizarem as flores da região, promovem abrigo e alimento a muitas espécies, sendo responsáveis por 40% a 90% da polinização da flora nativa, conforme o ecossistema. Essas abelhas produzem o melhor mel, com apenas 70% de açúcar e o perfume da flor concentrado.



Abelha nativa: Jataí


Certas espécies de plantas como o maracujá-amarelo (Passiflora edulis), tem sua própria agente polinizadora que é a espécie de abelha  solitária conhecida como Mamangava (Xylocopa spp.).



Luisa Ázara
Muda Maré

quinta-feira, 4 de setembro de 2014

Conhecendo um pouco mais do JBRJ

Os primeiros jardins botânicos surgiram na Europa, no século XVI, com o intuito de estudar as plantas medicinais. Através do cultivo e da herborização das espécies com potenciais terapêuticos, buscava-se identificar e comprovar suas propriedades. O Jardim Botânico do Rio de Janeiro (JBRJ) é o mais antigo e mais importante museu vivo e patrimônio cultural do país. Suas atividades foram iniciadas em 1808 e constitui a primeira coleção de plantas para fins científicos. Ao longo de sua trajetória, o JBRJ vem ampliando sua atuação e dado importantes contribuições na área de pesquisas científicas, ensino e extensão.  Sua missão é promover à conservação da biodiversidade, bem como a manter as coleções científicas sob sua responsabilidade.



O Jardins Botânicos assim como UC’s representam uma estratégia conservação da biodiversidade, uma vez que este espaço mantém uma coleção viva de espécies vegetais de todo o mundo, herbário, museus e áreas florestadas. Assim como o Plano de Manejo de uma UC apresenta normas de uso e restrições, os jardins botânicos são atendidos pela Resolução do CONAMA n° 266/2000 que dispõe sobre a regulamentação destes espaços. O JBRJ possui um regulamento interno que tem como principal objetivo respeitar para preservar a flora, a fauna, o patrimônio, a tranquilidade e segurança de todos.


O Serviço de Educação Ambiental do Instituto de Pesquisas do JBRJ foi criado em julho de 1992 tem como objetivo formar sujeitos críticos com base na conservação da biodiversidade e na sustentabilidade socioambiental visando a transformação para uma sociedade mais justa e sustentável. A partir da perspectiva da multidisciplinariedade, suas ações estão organizadas nas seguintes linhas: Divulgação Científica, Formação em Educação Ambiental, Educação para Gestão Ambiental, Extensão e Pesquisa em Educação Ambiental.

O projeto "Conhecendo nosso jardim" é uma proposta de educação permanente e continuada voltada para professores, promovendo espaços de educação não formal e apropriação dos espaços públicos para fins didáticos. As propostas são de atividades na forma de roteiros monitorados e de abordagem multidisciplinar.  Não só os elementos da fauna e da flora são vistos como prioridade de conservação, mas agregam também os elementos culturais e históricos do Brasil, que passa obrigatóriamente pelo Rio de Janeiro.



O "Laboratório didático" é outro projeto desenvolvido pela equipe de EA que envolve atividades que utilizam jogos, construção de narrativas, observação e investigação. É voltado para o público escolar, priorizando a rede pública de ensino e assim cumprindo o seu papel de instituição pública. O principal objetivo do projeto é despertar uma análise crítica diante das questões ambientais, integrando o contexto histórico que justificam a crise ambiental atual.


Além dos projetos citados, existem outras iniciativas que visam a conservação da biodiversidade e a integração sociedade-JB, tais como o Jardim Sensorial, onde  os visitantes percorrem os canteiros com os olhos vendados, guiados por um grupo de monitores com deficiência visual, dando a oportunidade de perceber a natureza a partir de outros sentidos. O JBRJ se constitui um importante espaço de vivências e troca entre os visitantes, professores, pesquisadores e alunos, que juntos construem novos conhecimentos acerca da realidade socioambiental e estratégias de conservação.


Luisa Ázara
Fotos: Lucas Moraes

segunda-feira, 18 de agosto de 2014

Maré Sem Lixo (Lona Cultural Hebert Vianna).


Oficina Maré Sem Lixo



Dando continuidade a problematização do Lixo. O Muda Maré como projeto inserido dentro da realidade das comunidades do complexo de favelas da Maré, buscou através das ações conjuntas com a Lona cultural Herbert Vianna formas de lidar com os problemas socioambientais mais graves do Complexo da Maré, entre eles o lixo urbano, que devido aos maus  hábitos  de alguns agentes da população, ineficiência do governo do município na prestação de serviços básicos de limpeza urbana, acaba por gerar grande acumulo de lixo em locais inapropriados, como esquinas, córregos, e até no meio da rua. Essa situação prejudicial e critica pode trazer consequências negativas para a população, atrair animais vetores de doenças e causar entupimento de bueiros alem de enchentes . Diante dessa realidade, os moradores montaram um documento que descreve as principais necessidades da região, chamado “Maré que queremos”. Onde a população pede entre outros tópicos a criação de pontos de coleta seletiva, assim como campanhas educativas em torno da questão do lixo. Sendo assim, o Muda Maré em parceria com a Lona Cultural Herbert Vianna criou um nova frente de atuação chamada “Maré sem Lixo”. Durante o primeiro semestre de 2014, fizemos oficinas semanais com crianças de 8 a 15 anos. Precisávamos demonstrar para elas todo o universo que cerca  a temática do lixo de maneira lúdica e didática alem de "desmistificar" ou melhor aprimorar alguns conceitos sobre os famosos "3 R" que seriam, Reduza, Reutilize e Recicle, que depois se tornaram mais "Rs" ainda, e que agora já estão falando de "5 Rs" ou mais, são muitos "Rs" mas pouca ação, para que dessa maneira os alunos pudessem entender como o lixo interfere na realidade local, e que "contar Rs" não resolve, uma mudança séria em qualquer realidade requer seriedade por parte de todos os agentes sociais envolvidos. Apresentamos as maneiras de separar os resíduos sólidos e ressaltamos a importância da redução do consumo e da geração de lixo caseiro.

As oficinas ocorreram tanto na parte da manhã quanto na parte da tarde, as crianças participaram de aulas formais, brincadeiras, jogos, teatros e apresentação de filmes,  todos abordando a temática do lixo, alem de visitarmos uma separadora de materiais recicláveis e o deposito da Comlurb na Maré. Nessas oficinas analisou-se o conhecimento prévio dos jovens participantes através de suas vivências e percepção do meio no qual estão inseridos, como lidam com o lixo cotidiano, o lixo das ruas, das esquinas e o lixo de casa.Considerando isso foi possível traçar ações para o segundo semestre.


Muita coisa boa ainda está por vir nesse segundo semestre, vem com a gente descobrir onde essa história vai dar.















quarta-feira, 21 de maio de 2014

Problematizando o lixo

Quando você pensa em educação ambiental, qual é o primeiro tema que vem à sua cabeça? Tenho certeza que a maior parte das repostas foi LIXO. Este é um tema abordado com freqüência em projetos de educação ambiental e também nas escolas e, de fato, é muito importante já que o lixo se constitui um grande problema ambiental. Mas como este tema é abordado? Na maioria dos casos, a abordagem deste tema está relacionada à separação dos resíduos, coleta seletiva e reciclagem. De fato, estes assuntos devem fazer parte da discussão acerca da temática do lixo, porém estes não podem vir a partir de um discurso desconectado da raiz do problema: o consumismo.


A sociedade contemporânea é menos uma sociedade de consumo mais uma sociedade IDEOLOGIZADA pelo consumo, já que este se dá de forma desigual entre os indivíduos que a compõe. O consumo é entendido como uma das fases de um único processo que inclui a produção, a distribuição, a circulação e, finalmente, o próprio consumo.¹ Por trás de uma mercadoria, existem relações de trabalho implícitas, ou seja, relações de apropriação dos meios de produção e venda a força de trabalho (mão de obra assalariada) determinadas pelo modelo econômico capitalista.

Quais são as reais necessidades do ser humano??? Acredito muito que podemos conseguir sintetizá-las em cinco A’s: água, alimento, abrigo, agasalho e amor. Em contrapartida, as necessidades humanas acima do nível biológico têm um conteúdo e uma função social determinados por forças externas, sobre as quais o indivíduo não tem controle algum. As necessidades são criadas pelo sistema e incorporadas pelo indivíduo, exercem um controle sobre ele, “uma identificação imediata do individuo com sua sociedade e através dela, com a sociedade em seu todo”².

A publicidade tem um papel fundamental na determinação de valores capitalísticos, pois ela é a ideologia da mercadoria. A propaganda tem o objetivo de convencê-lo de que a mercadoria é uma necessidade, muitas vezes relacionando o “status” do indivíduo na sociedade. Desta forma, os indivíduos passam a se reconhecer em suas mercadorias (roupas, sapatos, Iphones, etc.) havendo uma inversão de valores, onde o indivíduo é reconhecido pelo que ele tem e não pelo que ele é.


A taxa de geração de resíduos sólidos urbanos está relacionada aos hábitos de consumo de cada cultura, onde se nota uma correlação estreita entre a produção de lixo e o poder econômico de uma dada população. De acordo com o vídeo “A história das coisas”, os EUA têm 5% da população mundial e utilizam cerca de 30% dos recursos naturais mundiais, ou seja, se todos consumissem igual aos EUA precisaríamos de 3 a 5 planetas Terra para mantermos este alto padrão de consumo. Este dado só evidencia a apropriação desigual de recursos, principalmente quando comparamos os países desenvolvidos e os de 3º mundo.  

A reciclagem aparece com freqüência como a solução dos problemas relacionados ao lixo. Porém, quando aprofundamos a nossa compreensão sobre as etapas que compõe todo este processo de transformação dos materiais, vemos que ambientalmente ele é custoso, já que são utilizadas grandes quantidades de água e de energia elétrica. Além disso, não podemos deixar de pensar nas pessoas que estão envolvidas na base deste processo: os catadores. Em “O cinismo da reciclagem” vemos que o Brasil é o país que mais recicla latas de alumínio no mundo (73%), mas isto não me parece motivo de muito orgulho quando desvendamos o que está por trás das estatísticas: o subemprego. A remuneração do catador e sucateiro oriunda da reciclagem contribui para a melhoria de sua condição de vida, mas os ganhos econômicos estão distribuídos de forma desigual. Enquanto a indústria da reciclagem fica com 66% dos lucros, o restante é distribuído entre Prefeitura (11%), sucateiros (aprox. 10%) e catadores (13%), conclui uma pesquisa realizada no município de São Paulo. Nesse contexto, os catadores e sucateiros atuam como operários terceirizados da indústria da reciclagem, desprovidos de quaisquer benefícios trabalhistas.



E para onde vai todo o lixo gerado??? De acordo com a legislação brasileira, este ano é decretado o fim dos lixões. A Política Nacional de Resíduos Sólidos (12.305/2010) indica os aterros sanitários como disposição final ambientalmente adequada para os resíduos que não tiveram outra destinação (reutilização, reciclagem, compostagem, entre outros). É importante atentarmos para o descarte de pilhas, baterias e eletrônicos em geral, pois estes contribuem com a contaminação de corpos d’agua por meio da lixiviação de componentes tóxicos causando tanto impactos ambientais quanto impactos na saúde. Outra iniciativa desta política é responsabilizar as indústrias responsáveis pela produção das mercadorias através da logística reversa, que é o conjunto de ações, procedimentos e meios destinados a viabilizar a coleta e a restituição dos resíduos sólidos ao setor empresarial, para o reaproveitamento e/ou destinação final adequada.

Saiba mais! Assista: 




Luisa Ázara
Muda Maré

Bibliografia:

Philippe Pomier Layrargues - O CINISMO DA RECICLAGEM: o significado ideológico da reciclagem da lata de alumínio e suas implicações para a educação ambiental

¹² Rachel Zacarias - SOCIEDADE DE CONSUMO OU IDEOLOGIA DO CONSUMO: um embate 

Política Nacional de Resíduos Sólidos (12.305/2010) 

segunda-feira, 7 de abril de 2014

Porque nossas coisas não "duram mais como antigamente"?

Tenho certeza que todos vocês já ouviram alguém falando esta frase ou já perceberam por conta própria que a maior parte das coisas que compramos quebram rápido, param de funcionar sem motivos claros ou não possuem peça de reposição. Pois é, existe uma explicação maligna por trás disso tudo e ela é conhecida como obsolescência programada: os produtos já são fabricados de forma programada para não durar muito. Existem duas formas de se criar um produto programado para morrer: construindo-o com componentes de qualidade inferior ou induzindo o consumidor a substituí-lo por modelo mais novo. Que intenções estão embutidas nesse tipo de produção???

Nos EUA, em um primeiro momento, a obsolescência programada surge atrelada a uma lógica extremamente capitalista: o aumento das vendas à custa da redução da vida útil do produto. Ora, se os produtos tiverem uma qualidade inferior, o consumidor será obrigado a comprar estes produtos com mais freqüência, logo o lucro da empresa é maior, e de certa forma, garantido. Os empregadores conseguem manter seus funcionários na empresa, que com o salário em mãos pagam suas contas e com a “sobra” tornam-se escravos do sistema ao comprar cada vez mais e contribuir significativamente com o crescimento da economia (mas não da qualidade de vida) num ciclo de consumo sem propósito.  



Diante desta lógica de produção contínua, gerada pela euforia norte-americana e a falta de consumidores, houve uma crise de superprodução. Para solucionar a crise, o eleito presidente Franklin Roosevelt, propôs mudar a política de intervenção americana. Se antes, o Estado não interferia na economia, deixando tudo agir conforme o mercado, agora passaria a intervir fortemente, principalmente através do controle dos preços e da produção.

         Posteriormente, a obsolescência programada aparece através do design e da propaganda. Neste momento, a TV já se constitui o veículo de informações mais acessível às diferentes classes sociais e é através dele que os comerciais passam a estar dentro de nossas casas. A moda, por exemplo, é mais um meio para o sustento desse sistema. Ao mesmo tempo em que sabemos que a roupa tem um significado que abrange a representação de um conjunto de valores culturais, vemos que o anseio pela busca de expressão social impulsiona o sujeito a depender da roupa como uma fonte legitimadora de uma aceitação social. 



 Até as sementes (isso mesmo, sementes!) são alvo da obsolescência programada. Trata-se das sementes terminator, fruto de uma tecnologia transgênica para fabricação de sementes suicidas: são plantadas, dão frutos, mas a segunda geração se torna estéril, tornando os agricultores reféns da compra de novas sementes a cada estação. Patentear material genético alterou as relações de poder econômico a favor das grandes empresas que detém a propriedade intelectual da produção das sementes geneticamente modificadas e toda a cadeia alimentar passa a ser controlada por poucas grandes multinacionais como a Monsanto, Bayer, Syngenta, Dupont, entre outras.  

O controle da agricultura está nas mãos de um oligopólio de empresas que usam o desenvolvimento de novas tecnologias na produção de sementes que não atendem ao interesse público da erradicação da fome no mundo e contribuem para extinção de variedades sementes crioulas cultivadas por gerações de agricultores familiares e comunidades tradicionais. Conseqüentemente, contribui para a redução da biodiversidade, não só no âmbito das sementes propriamente ditas, mas também em relação ao modelo de produção (monoculturas) e uso de agrotóxicos e fertilizantes químicos, que geram impactos ambientais com efeitos locais como a redução da biota do solo (responsável pela ciclagem da matéria orgânica) e com efeitos globais como o aumento do nível de nitrogênio nos oceanos (através da incorporação de nutrientes lixiviados do solo aos corpos d’água).


Ao invés de investirmos em produtos com grande durabilidade que diminuiriam consideravelmente a extração de matéria prima, ou seja, florestas, água e minérios, insistimos em um modelo insustentável de extração desmedida de uma fonte esgotável de recursos, o planeta Terra. Além disso, devem ser incluídos outros gastos que seriam minimizados ao produzir produtos de qualidade: energia, tanto na produção quanto no transporte (redução queima de combustíveis fosséis e da emissão de gases poluentes e contribuintes para o aumento do efeito estufa), geração e gestão de resíduos. 


              Depósito de lixo eletrônico proveniente de países do "1º mundo" - África



Descubra mais sobre a obsolescência programada no vídeo abaixo!




Luisa Ázara - Ecologia UFRJ
Muda Maré

segunda-feira, 11 de novembro de 2013

Oficina de horta na Lona Cultural

No mês de outubro, mais uma linda oficina aconteceu em parceria com a Lona Cultural Herbert Vianna. O objetivo foi incentivar o contato das crianças com a natureza por meio de iniciativas sustentáveis, reutilizando materias, como garrafas pets, caixas de madeira e vasos, para a confecção de uma horta suspensa. As mudas plantadas - orégano, cebolinha, pimenta e hortelã - serão usadas futuramente pelas mulheres do Maré de Sabores e na alimentação diária dos moradores que frequentam esse espaço.

Desenvolvemos o assunto da plantar a partir de uma história que falava de uma onça, dona de um roçado. Ela foi contada por um dos nossos convidados, o Bernardo. 

Para começar o plantio, cada um pegou uma garrafa PET e cortou-a em forma de vaso. Depois colocaram a terra e a muda que escolheram e, no final, prendemos com arame no pallet de madeira. 


Vaso pronto pra ser colocado no pallet de madeira

Horta suspensa ficando pronta

Troca de conhecimentos

Pequenos cuidadores da horta!

Após o plantio, as crianças seguiam para o muro onde o Márcio Heider, outro convidado, guiou uma pintura coletiva, com o desenho de árvores, flores e casas. 


Márcio Heider comandando a pintura!


                Ao final a Lona Cultural ficou colorida assim ó!

As oficinas acontecem pelo menos uma vez no mês, com diversas atividades diferentes e sempre com um enfoque na questão ambiental!


Agradecemos a rica colaboração dos convidados, Bruno e Marcio do Projeto Criança Petrobras, e as fotografias de Douglas Lopes.



Muda Maré
Isabelle Pepe

terça-feira, 1 de outubro de 2013

Muda na Escola – Aula campo no Manguezal


Neste ano, o projeto consolidou sua parceria com o CIEP Hélio Smidt através de ações frequentes. O intuito é aproximar o conteúdo das aulas de ciências à realidade local dos estudantes, para que eles possam entender as problemáticas da comunidade e sejam capazes de, futuramente, criarem ações transformadoras.

O manguezal faz parte do conteúdo de ciências dos alunos do 4 ano e, além disso, é o ecossistema no qual a Maré esta inserida. Para que os alunos entendessem mais sobre a sua importância foi realizada uma aula campo no manguezal localizado no Fundão. O objetivo era expor o que é um manguezal, explicando como ele está inserido dentro do bioma da Mata Atlântica, evidenciando suas peculiaridades e a importância de preservá-lo, além de relacioná-lo com a historia da Maré.

A atividade ocorreu com a turma dividida em três espaços diferentes, e a cada trinta minutos ocorria um rodízio. No gramado fizemos um jogo sobre os biomas brasileiros e no final demos enfoque a Mata Atlântica.





No manguezal houve uma explicação mais aprofundada de como ele funciona, evidenciando os aspectos físicos e biológicos, características da vegetação e adaptações encontradas pelos seres vivos para a sobrevivência nesse ecossistema.







Na praia o foco foi o lixo, mostrando a quantidade que se acumula nos manguezais e seu impacto ambiental. Discutimos a importância de preservá-lo, além de introduzir a historia da Maré e sua relação com este ecossistema.




Galera reunida!




Isabelle Pepe
Muda Maré